Revista De Vinhos – Nº 327 Fevereiro de 2017

A Revista de Vinhos é uma publicação mensal de referência no segmento de vinhos e gastronomia. Aconselho a ler esta publicação super interessante.

Com 25 anos de edição mensal contínua, é o meio com maior notoriedade do mercado,
influenciando o comportamento de muitas dezenas de milhares de consumidores.

O foco editorial da revista são as provas de vinhos, visitas a produtores e regiões vinícolas em Portugal e no estrangeiro, entrevistas, colunas de opinião, avaliações de harmonização vínico-gastronómica, enoturismo, entre outros.

Revista_De_Vinhos_Nº_327

Revista_De_Vinhos_Nº_327, com 212 páginas para saborear.

O que nos dizem os vinhos do ano

Quando olhamos para os vinhos premiados nas várias categorias de Os Melhores do Ano, deparamo-nos, é claro, com referências concretas, correspondendo a determinadas marcas e colheitas. Mas se procurarmos uma visão de conjunto, deixando a árvore para olhar para a floresta, obtemos resultados interessantes, alguns expectáveis, outros surpreendentes.

“Açores é a grande surpresa das provas”

 

Ao longo do ano equipa de cinco provadores desta revista avalia, individual ou  colectivamente, milhares de vinhos. É evidente que as provas efectuadas nos vão dando em cada momento determinadas pistas sobre o comportamento deste ou daquele produtor, região ou tipo de vinho. Mas é apenas quando anualmente pegamos no conjunto de todas as provas, para produzir o Guia de Compras e para obter as bases que conduzirão aos prémios de Os Melhores do Ano, que verdadeiramente nos apercebemos de como os vinhos portugueses evoluíram, evidenciando-se então confirmações, surpresas, tendências. São muitos os aspectos a destacar relativamente à “época” de 2016, quase todos eles muito positivos e abrangendo a generalidade das regiões e tipos de vinho produzidos em Portugal. Mas, por óbvia falta de espaço nesta página, permitam-me que refi ra apenas cinco.

Revista_De_Vinhos_Nº_327 5 Loja Gourmet
Fundada em 1860, loja Manuel Tavares

Douro e Alentejo. Estas duas regiões continuam a ser as maiores potências, quando se trata de contabilizar vinhos de topo. Curiosamente, não poderiam ser mais distintas. O Douro, mais pequeno, mais fechado, é identidade e solidez; o Alentejo, maior, mais aberto, é irreverência e diversidade, até quando recupera antigas tradições como a dos vinhos de talha.

Brancos de referência. A quantidade de vinhos brancos de muito elevado nível provados ao  longo de 2016 não tem paralelo na já longa história da Revista de Vinhos, originando nada menos do que oito Prémios de Excelência, um recorde absoluto. E a qualidade vem de todo o lado, de regiões atlânticas e continentais, abrangendo uma enorme variedade de castas e perfis de vinho. Os brancos portugueses alcançaram definitivamente um patamar superior.

Revista_De_Vinhos_Nº_327 2

Espumantes. É verdade que dificilmente conseguimos exportá-los, mas o país rendeu-se aos espumantes. São poucos os produtores que os não fazem, e há belos espumantes não apenas nas clássicas Bairrada e Távora-Varosa mas também em muitas outras regiões. Depois de dominada a técnica, o grande desafi o dos produtores passa agora por conseguir uma maior complexidade e riqueza nos vinhos, dando-lhes mais tempo de estágio.

Revista_De_Vinhos_Nº_327 6 Quinta do Gradil

Licorosos Setúbal. O Moscatel de Setúbal e o Moscatel Roxo produzidos e envelhecidos nesta região ombreiam com os melhores Porto e Madeira, o que é o mesmo que dizer, com os melhores licorosos do mundo. Em 2016 tivemos oportunidade de provar diversos Setúbal absolutamente extraordinários e que merecem muito mais atenção dos  apreciadores.

 

Açores. É, a grande surpresa das provas de 2016. A oportunidade de apreciar um “pacote” de singulares brancos Açoreanos,  sobretudo do Pico, deixou-me convencido do vasto potencial para fazer belíssimos vinhos de nicho numa região vinícola que a maior parte dos consumidores portugueses nem sabe que existe

“2017 VAI SER UM BOM ANO PARA AS EXPORTAÇÕES PORTUGUESAS”

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CONSUMO PER CAPITA DE VINHO: PORTUGAL EM SEXTO LUGAR
Já vimos que as marcas que mais vendem estão fora da Europa. O “velho continente”, por outro lado, é onde mais se bebe vinho. De longe! Segundo estatísticas de 2015, entre as 15 nações com maior consumo de vinho per capita, a Europa tem 14! Só o Uruguai entra nesta lista. Os números vêm do The Wine Institute (www.wineinstitute.org) e mostram bem que são os europeus os grandes consumidores de vinho. Neste ranking, os portugueses estão em 6º lugar, a seguir ao Vaticano, Andorra, França, Croácia e Eslovénia. Em 2015, e em média, um português bebeu 41,74 litros de vinho. Em França, esse consumo médio foi um pouco mais elevado: 42,51 litros.

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No entanto, o campeão será a Cidade-Estado do Vaticano: 54,26 litros por cabeça e por ano. Surpreso? É verdade que a religião católica sempre teve uma relação estreita com o vinho mas existem várias explicações para isto, a começar no facto de que o vinho no Vaticano é mais barato (menos impostos) do que em Roma. Parece assim mais que possível que uma boa parte dos visitantes (milhares) comprem vinho no Vaticano para consumir em Roma e outros locais de Itália. Uma situação semelhante pode passar-se em Andorra, um principado com políticas fiscais muito próprias.

 

 

 

 

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